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Investigação aponta que índios Gamela também estariam com armas de fogo

Conflito ocorreu no último dia 30 e deixou 17 feridos

Tanto os índios da etnia Gamela como os proprietários de terras estavam com armas de fogo durante conflito registrado no povoado Bahias, em Viana, no último dia 30 (Reveja). A informação foi confirmada pelo delegado regional de Polícia Civil de Viana (MA), Jorge Pacheco, no começo da tarde desta quinta-feira (4).

Ao todo, 17 pessoas ficaram feridas no conflito armado, sendo 13 índios e quatro proprietários de terras. Três índios continuam internados em São Luís, mas fora de perigo, segundo boletim médico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde. (Reveja)

Índios da etnia gamela feridos em ataque no Maranhão (Foto: Lunaé Parracho/Reuters)

“Estamos no começo ainda da investigação, mas as primeiras informações dão conta de que houve agressão das duas partes, pois ambas estavam com armas de fogo. É uma região que tem o conflito, mas como está bastante policiada não tem como acontecer um conflito como aquele. Estamos cuidando para evitar os casos isolados também”, disse o delegado.

O objetivo da investigação é identificar todos que participaram do confronto armado. O inquérito tem um prazo de 30 dias para ser concluído.

A área onde ocorreu o confronto recebeu reforço policial para que a tensão que ainda existe no local não se transforme em mais confrontos. O maior contingente é da Polícia Militar, mas as polícias Federal e Civil estão no local também de forma permanente.

O conflito é resultado de uma antiga disputa por terra na região. A demarcação ainda não aconteceu pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Índios agredidos em Viana não correm risco de morte, diz boletim médico

Índios da etnia gamela feridos em ataque no Maranhão (Foto: Lunaé Parracho/Reuters)

Os três índios da etnia Gamela que foram internados no Hospital Tarquínio Lopes Filho após sofrerem agressões durante um conflito envolvendo disputa de terras em Viana (Reveja) apresentaram melhora e não correm risco de morte, conforme boletim médico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).

No começo da semana o diretor técnico do hospital, Newton Gripp disse que nenhum índio teve as mãos decepadas. “Ele teve lesões profundas por arma branca nos antebraços, mas não decepou as mãos dele como havia sido divulgado”, afirmou.

Representantes dos direitos humanos se reuniram em Viana

Segundo a FUNAI, 13 índios ficaram feridos, assim como quatro proprietários rurais. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Maranhão, Pastoral da Terra e Secretaria Estadual de Direitos Humanos se reuniram nesta quarta-feira (3) na cidade de Viana para acompanhar a situação de perto.

Atualmente há seis etnias aguardando demarcação de terras pela Fundação Nacional dos Índios (FUNAI) no Maranhão. Segundo a Pastoral da Terra, a demora na demarcação de terras indígenas no Maranhão tem acirrado os ânimos entre proprietários rurais e índios.

Índios Gamela são atacados em Viana e dezenas ficam feridos

Índios foram atacados por homens armados com armas de fogo e facões

Dezenas de índios Gamela foram atacados por grupo com armas de fogo e facões no povoado Bahias, em Viana, a 220 quilômetros de São Luís. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o ataque aconteceu na tarde de domingo (30) e teria sido praticado por disputas territoriais.

Informações atualizadas pelo conselho dizem que chega a 13 o número de feridos a golpes de facão e pauladas. Não há, até o momento, a confirmação de mortes. “Um deles levou dois tiros, uma bala está alojada na coluna e a outra na costela, teve as mãos decepadas e joelho cortados. O irmão dele levou um tiro no peito. Outro teve as mãos decepadas”, relata integrante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que esteve com os Gamela hospitalizados em São Luís.

Cinco indígenas foram transferidos para a capital maranhense em estado crítico. Um deles teve os dois antebraços amputados pelos agressores. As vítimas do massacre estão internadas no Hospital Clementino Moura (Socorrão 2), na Cidade Operária.

Apenas três deles foram identificados até o momento: Inaldo Cerejo, Francisco Jansen e Alderi de Jesus Ribeiro. O hospital não divulgou qual destes teve as mãos decepadas e também não detalhou quais seriam os ferimentos dos outros índios.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública disse que já instaurou inquérito para investigar o caso e que enviou reforço policial para a região.

Saiba mais

Não é o primeiro ataque sofrido pelo povo Gamela, que luta para que a Funai instale um Grupo de Trabalho para a identificação e demarcação do território tradicional. Devido a morosidade quanto a quaisquer encaminhamentos pelo órgão indigenista, os Gamela decidiram recuperar áreas tradicionais reivindicadas.

Em 2015, um ataque a tiros foi realizado contra uma destas áreas. Em 26 de agosto de 2016, três homens armados e trajando coletes à prova de bala invadiram outra área e foram expulsos pelos Gamela, que mesmo sob a mira de armas de fogo os afastaram da comunidade.

Atualizada às 15h

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